Vitamina D e Ômega 3 sem benefícios para o coração
O New England Journal of medicine, uma das revistas médicas mais conceituadas no mundo publicou em Novembro de 2018 os resultados do mais recente estudo sobre vitamina D e Ômega 3 o VITAL que foi um ensaio clínico randomizado, duplo cego controlado com placebo que usou vitamina D3 (2000 UI por dia) e o ácido graxo marinho, Omega-3 (1 g por dia). O estudo avaliou prevenção primária de câncer e doenças cardiovasculares em 25.871 homens e mulheres e os acompanhou por uma média de 5,3 anos.
Existem muitos dados observacionais convincentes de que o consumo de peixe está associado à proteção contra doenças cardiovasculares, mas nenhum deles teve a configuração e o poder estatístico comparados ao VITAL. Depois de muitos ensaios randomizados pesquisadores concluíram que não há nenhum efeito consistente de suplementação de ácidos graxos n-3 para reduzir a incidência de eventos cardiovasculares em populações com alto risco de doença cardíaca coronária.
O VITAL demonstrou de forma convincente que o uso de ácidos graxos n-3 não é eficaz na prevenção do desfecho combinado de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou morte por causas cardiovasculares em pacientes não selecionados. Esses dados são consistentes com outro estudo o ASCEND (Estudo de Eventos Cardiovasculares em Diabetes), que não demonstrou efeito protetor na prevenção primária de doença cardiovascular em pacientes com diabetes.
Outro estudo de Avaliação de Vitamina D (VIDA) foi um ensaio randomizado de 3 anos, controlado por placebo na Nova Zelândia envolvendo 5.110 pessoas que receberam suplementação com alta dose de vitamina D (100.000 UI mensalmente). Nesse estudo, não houve efeito da suplementação de vitamina D sobre a incidência de eventos cardiovasculares maiores. Da mesma forma, em uma análise post hoc do VIDA, o uso suplementar de vitamina D não teve efeito sobre os resultados do câncer.
Apesar desses achados negativos, permanece uma incerteza considerável sobre a prevenção do câncer com suplementação de vitamina D devido a vários fatores. Primeiro, a vitamina D ativa suprime consistentemente a proliferação celular in vitro, e isso poderia se traduzir em potencial eficácia anticancerígena in vivo. Segundo, uma metanálise recente mostrou um benefício significativo com a vitamina D com relação à mortalidade por câncer. Cabe ainda lembrar que os estudos citados acima falam em prevenção e mortalidade por doenças cardiovasculares, mas não sabemos se esses suplementos podem ajudar em outras doenças inflamatórias e metabólicas, portanto outros estudos virão.


